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2 de agosto de 2013

Aniversário Vegetariano

Hi Guys! Long time no see!

http://www.glorioustreats.com
  É, os posts andam parados, eu sei! Mas a resposta é simples: Tá parado por que a vida tomou o seu curso, porque a fase de adaptação, onde tudo é novo e lindo, passou. Posso dizer que depois de 3 anos morando no Canadá, estou completamente acostumada e adaptada, e não me sinto mais inspirada em escrever sobre coisas que agora fazem parte do cotidiano. Mas claro, eu adoro postar por aqui, e gosto de escrever sobre as diferenças culturais, novos pratos e sabores, e tudo de interessante que vejo não só nos Canadenses mas também nos outros imigrantes, e é mais ou menos sobre isso o post de hoje.

   No fim de semana passado, fomos em um aniversário na casa de uma familia da Guiana, e eles são vegetarianos. A comida servida lembrou muito a comida indiana, pois era temperada com curry, só que bem menos forte. 
  O curry é um tempero que ou você ama, ou odeia, eu particularmente adoro, mas confesso que se comesse todo dia eu iria enjoar. Bem, sou uma exceção, a grande maioria dos brasileiros que conheço não gostam de curry, e fogem da comida indiana justamente por isso. Pra quem quer conhecer alguns pratos do sul da Ásia, experimentem o Butter Chicken (frango temperado com um molho de curry e outros ingredientes)  e o Samosa (parece um pastel com recheio de legumes, experimentem o mild, os mais apimentados só se vc sobreviver as primeiras degustações).

http://www.annies-eats.com
  Bem, voltando ao assunto do aniversário, foi servido vários bolinhos de entrada, parecia bolinho de chuva salgado, uns tinham recheio que parecia frango, mas como a familia é vegetariana, eu não faço nem idéia o que era aquele recheio, era bom, mas não causou tanto impacto em mim quanto as rosquinhas de nome "Bara". Perguntei para o pai da aniversariante o que era, ele me explicou como era feito mas eu não conhecia todos os ingredientes, guardei o nome do quitute para pesquisar mais tarde no mestre google a receita. Entre outros ingredientes que não costumo usar, na rosquinha vai farinha de ervilha, ou farinha de lentilha, depende da receita, isso deixa um sabor delicioso e diferente de todas as rosquinhas e bolinhos que já comi na minha vida, e confesso que sou uma grande apreciadora de bolinhos!
  
  Mais tarde veio o jantar, os únicos pratos que conhecia era a lasanha de queijo e o arroz branco, tinha um macarrão com legumes e uns grãos de feijão grande, parecia tremoço, e alguns molhos de curry, um com ervilhas e tofu, e outro com grão de bico, os molhos a gente come com o Roti, que parece um crepe, uma panqueca, e se corta com as mãos e mergulha no molho, adorei o Roti!
  Depois de sobremesa tinha uma mesa com várias frutas, um bolo que parecia bolo de aipim cremoso, e uns quadradinhos de fudge, parece a nossa rapadurinha de leite, uma delicia e muuuito calórico.
  Finalmente veio o bolo, cantaram parabéns, e ninguém sentiu falta de coxinha e brigadeiro na festa (eu porque comi um monte e eles porque não conhecem essas delícias dos aniversários brasileiros).

  Os aniversários canadenses em geral são bem mais saudáveis e menos gostosos que os brasileiros, é muito comum ver mesa de legumes e frutas para a criançada, e elas adoram, nunca vi tanta criança comendo brócolis e pepino e achando bom como aqui. Acho isso maravilhoso, mas confesso que os primeiros aniversários que fui estranhei muito, pois no Brasil aniversário significa farra gastronômica, e aqui não é bem assim, tem bastante comida pra todos, mas aniversário de criança tem que ter coisas saudáveis, além dos cookies, pizzas e sanduíches.

  Como fiquei encantada com o Bara, procurei várias receitas para colocar aqui no Blog e tentar fazer igual, achei até um vídeo bem interessante de uma Guianesa, ela faz o Bara em forma de bolinhos, mas vários sites vejo em forma de rosquinha. Reparem no sotaque Guianês:


  Os ingredientes usados são diferentes dos que costumamos cozinhar no Brasil, mas vale a pena tentar, fica maravilhoso! Traduzi uma outra receita caso vc não entenda a receita do vídeo:

http://www.homemadevegetarianrecipies.com/2011/02/dahi-bara-and-aloo-dum-sweet-and-tangy.html
1 xícara de farinha de ervilha, ou farinha de lentilha
1/2 xícara de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de chá de sal
1 cebola pequena picada
1 colher de chá de pimenta picada
1 colher de sopa de cebolinha picada
1 dente de alho picado
1 colher de chá de curry em pó
Água para misturar
1 litro de óleo para fritar

Instruções:
Peneire os ingredientes secos juntos, em seguida, adicione todos os outros ingredientes e misture bem.
Adicionar água suficiente para fazer uma massa dura. Divida a massa em pedaços pequenos, do tamanho de pequenas batatas.
Faça rosquinhas e frite em óleo de soja ou da sua preferência até dourar.
Escorra bem e sirva quente com o molho que preferir.

  Bom apetite e bom final de semana a todos, e se não conseguirem fazer, façam bolinhos de chuva, que também são uma delícia! rsrsrs

15 de setembro de 2012

Alex, o pensador.

  Essa semana o Alex filosofou bonito no Facebook, o post dele merece destaque aqui no blog:

"Demorei um pouco pra entender as relações de trabalho e vida pessoal aqui no Canada.. 

Aqui no Canada não há amor à empresa e sim a FAMILIA. As pessoas nao dão valor ao emprego e sim a profissao (long-term), nao se importam com cargos e sim com oque fazer no final de semana. O trabalho deve ser rápido, objetivo e com um propósito único de favorecer a união da família. Os 
colegas de trabalho não são amigos, não são confidentes, pois são e serão sempre passageiros, oque importa é oque ficará depois que não tiver mais emprego... Ou seja, a sua vida e quem realmente voce é...

Há exceçoes, mas em geral as pessoas nao gostam muito do trabalho e fazem tudo pra sair do escritório o mais rápido possível, por isso enquanto alí estão, procuram fazer tudo o rapidamente (sem tempo pra almocos longos, conversas de corredor e parada para um café) pois qualquer dessas "distrações" atrasam a sua saída para oque realmente importa: ser pai, ser mae, ser amigo, ser filho, ser humano.

Demorei sim um tempo (até longo) pra isso entender... mas acho que agora tudo está ficando mais claro...

Porque você fica no trabalho até as 20h? Será que a desculpa de se livrar do trânsito ainda cola?
Porque você sempre procura programas em que sua família não faz parte (futebol, happy hour, cervejinha com os amigos, pedaladas noturnas, UFC, academia, etc)?"


Agora, completando com minhas palavras, gostaria de ressaltar que não há mal nenhum em fazer as atividades citadas acima, o mal está em você deixar a familia SEMPRE em segundo plano, e sabemos que isso acontece muito.
  As pessoas aqui também praticam esportes e tem vida social, mas procuram sempre que possível  fazer atividades junto com a familia também, e trabalho nunca vem em primeiro lugar.
  Ninguém vive com medo de perder o emprego, a vida é mais estável, e se forem demitidas, achar outro trabalho não é uma tarefa tão difícil quanto no competitivo mercado Brasileiro (varia muito a demanda dependendo da profissão).
  O costume de ficar horas e horas a mais trabalhando aqui não é visto com bons olhos, se você é um bom profissional, é suposto que você termine seu trabalho no horário e vá pra casa descansar, mas claro, a sobrecarga de trabalho é bem menor, tem muitos empregos em que o funcionário é explorado sim, já ouvi histórias bem pesadas e em diversos setores, mas generalizando bem a situação, a realidade aqui é mais humana.
  Li num blog de uma menina que mora no Quebec, queria muito citar a fonte mas não achei mais a autora, ela conta que uma mulher no elevador reclamou pra ela que achava um absurdo a quantidade de horas que tinham que trabalhar aqui, que o governo explorava os canadenses, e ela falou que estava satisfeita pois nunca chegou em casa depois das 8 da noite como no Brasil, que trabalhava até as 16:30 e estava feliz por ter tempo de estar com a familia.
  As pessoas nunca estão satisfeitas, isso é em qualquer parte do mundo, e eu acho isso muito bom, pois quem está satisfeito costuma se acomodar. É necessário planejar e atingir objetivos, mas nunca confundir insatisfação com ingratidão.  O que é aceitável pra uns, pra outros é um absurdo, tudo depende das experiências vividas e os parâmetros usados para medir uma situação.
  Mas, no nosso caso, estamos felizes, adorando algumas coisas, outras nem tanto, nos ajustando a alguns costumes, e a vida segue, como Deus quiser!


Adriana & Alex

Obs.: Obrigada Tatiana por ter deixado nos comentários o link do post que citei acima: http://projetosupernovaquebec.blogspot.com.br/2012/08/no-trabalho-hoje.html

3 de abril de 2012

Vale a pena imigrar - algumas respostas


Olá pessoal, como prometido em Agosto de 2011 (já faz tempo hein??!!!).. seguem algumas perguntas que nós mesmos fizemos e ainda estavam sem respostas.. vamos lá...

- Já estão adaptados? Como é viver em um país diferente?
Na verdade a resposta pra essa pergunta é bem ampla pois o certo que para algumas sim estamos adaptados, para outras ainda estamos nos apaptando e para algumas jamais iremos nos adaptar, eu enumero 3 situações que deveríamos (ou não) nos adaptar:


1- Idioma (ingles aqui em Ontário - francês em Quebec): Posso dizer que a adaptação acontece de diversas maneiras, mas o que aprendemos aqui é que nunca será nossa língua e nunca saberemos dizer tudo com as palavras certas e com o primor de detalhes e argumentação que temos no portugues.. há uma expressão em frances que diz assim " Je me débrouille" que diz em outras palavras que "eu me viro na língua". consigo me fazer entender... mas jamais será tão bem quanto se fosse em Português (ou sua língua natal) a não ser que você MERGULHE na língua e faça do seu dia-a-dia um intensivo.. mas assim corre o risco de deixar seu filho (a) mais preguiçoso em manter o seu idioma falado em casa e assim faz com que sua língua nativa seja perdida (nós decidimos que não queremos isso - meio a contra-gosto meu, mas a minha é sempre a última palavra.. vocêm sabem né... sim amor!). Mas sem perder o fio da meada, você a cada dia vai entender melhor oque todos dizem e entendendo melhor os filmes, vai começar sim a entenderem ingles (ou francês) mas na hora de se manifestar (falar) não será totalmente natural e mesmo que viva muitos anos aqui (a não ser que abra mão de sua língua nativa - como eu expliquei) vai sim usar expressãoes mais simples e não vai querer estender muito as conversas pois não terá nunca 100% de certeza que oque você disse foi entendido de acordo com oque quiz dizer. Ou seja, vai sim aprender a conviver com a língua, mas ela será sempre uma "pedra de tropeço" na sua viva. Há quem conteste isso, mas você têm que fazer escolhas, SEMPRE.


2- Clima: Eu digo que estou muito bem adaptado, mas o mesmo não diz a Adriana pois ela sim sente falta do calor, do sol e da praia. Apesar disso, nós que viemos do sul do país (Porto Alegre) sentimos muito menos frio aqui do que lá.. como muitos já disseram, a estrutura para suportar o frio é geral: todas as casas e aptos têm aquecimento (SEM EXCEÇÃO - todas), todas as lojas, metrô, ônibus, praticamente todos os locais cobertos (com exceção das paradas de ônibus onde há uma cobertura de vidro (na maioria delas) para conter o vento, a água é aquecida em praticamente todos os banheiros públicos e TODAS as casas, as roupas são baratas e todos têm acesso a acessórios para se protegerem do frio (luvas, gorros, casacos, etc) até mesmo os mendigos. Na parte da neve, a prefeitura limpa a neve nas principais avenidas antes das 9 horas da manhã aliviando assim o impacto de lentidão nas vias, eles colocam sal após limparem oque evita a acumulação de gelo nas ruas, a meteorologia avisa com muita antecedência em todos os veículos de mídia possível incidência de tempestade de neve (ainda não pegamos em 2 anos aqui, mas realmente complica um pouco mais tudo), os carros são preparados para não falharem ou terem problemas para a partida em dias muito frios (nunca vi problema aqui). Em geral há uma preocupação e prevenção em situações de possível risco e tudo é muito bem preparado para lidar com o frio intenso. Portanto eu diria que a adaptação ao frio é algo pessoal de cada um dependendo de como se relaciona com o clima, mas eu diria que não é o principal problema para a adaptação em um novo país.


3- Saudades da família e amigos: Esse parte realmente pesa pois, apesar de se fazer novos amigos onde quer que você vá, são amigos novos que você têm uma história curta de amizade e portanto você procura ir cuidadosamente (tateando) para entender quais são os valores e coisas que esses amigos gostam e não gostam, até porque não são tantos (95% eu diria serão brasileiros) e você têm que tentar manter pois não há aquela abundância que você tinha no Brasil. Portanto você não terá amigos de infância aqui, pois não viveu sua infância aqui.. é claro... pode ter até amigos daqui (que não sejam brasileiros) mas vai notar que as coisas que gosta, que te faz rir e curtir são elementos que não fazem sentido a eles (o time de futebol do coração, as músicas da juventude, os filmes que você curtia, os desenhos animados, o chaves, a política, o esporte, as mazelas sociais, os problemas econômicos, a roubalheira, o caos na saúde, educação, etc são assuntos que te interessa discutir, mas eles não poderiam acrescentar nada e vão falar de baseball, falam de um tal de "Wayne Gretzky" que você jamais ouviu falar, falam sobre Stanley Cup e sobre temas que você não participou na história deles pois não estava aqui pra isso. Portanto não "dá liga" nessas conversar e isso se torna chato para ambos os lados. Há excessões de "canadenses", oque está cada dia mais difícil de definir que é canadense, que se interessam por assuntos de fora do país e são pessoas mais abertas ao conhecimento mundial e que se pode ter uma relação mais interessante, mas são casos mais raros. No que diz respeito a amigos brasileiros, sim acabamos encontrando alguns, mas acabamos nos identificando mais como poucos, oque é perfeitamente natural. A saudade da família é um dos principais motivos que faz o sonho virar pesadelo e alguns desistirem de viver aqui, no nosso caso, apesar de amarmos nossa família (e Muito), já não tínhamos laços diários com eles a mais de 10 anos, oque facilitou nosso processo de adaptação nessa parte, mas nada que o skype video, MSN, etc não compense em contatos quase que diários, colocamos um numero no Brazil (via skypein) que quando qualquer um nos liga nesse numero local (em POA) nosso telefone toca aqui, isso estreita um pouco o relacionamento e nos faz sentir mais parte de nosso país. É uma barreira sim, mas acreditamos que é perfeitamente superável se, de alguma forma, não há uma dependência muito grande no dia-a-dia com a família mais próxima (mãe/pai/irmãos), se há, eu diria que deve ter um peso grande na decisão, no nosso caso não pesou tanto.


Como é viver em um país diferente?
Eu diria que a retórica é necessária... é DIFERENTE.. como também já foi dito, não é melhor nem pior, é outra realidade, no meu caso em específico, 90% das coisas são melhores quando comparadas com o Brasil, mas isso é muito particular e não pode servir como base estatística. É diferente pois o país têm uma outra história e portanto deve ser entendido sobre um outro ponto de vista, alguns exemplos: Voto não obrigatório, maioria esmagadora da população com curso superior (curso de 2-4 anos pós-secundário considerado curso superior), polícia muito valorizada, respeitada e honesta, professores valorizados, treinados e escola participativa, político não é considerado cargo ou profissão e sim doação de serviços a coletividade, saúde de graça e para todos (não há medicina privada - a não ser tratamentos de beleza e casos especiais), escolas públicas de qualidade superior ou igual ao ensino privado (até o segundo grau de graça), faculdades todas PAGAS (sem excessão) mas há bolsas de estudos para se pagar depois de formados, carga tributária baixa (se comparada com o Brasil - mas aí também é sacanagem né?), leis feitas para serem respeitadas, transito organizado e respeitado, idosos tratados com respeito (acessibilidade a idosos e deficientes em praticamente todos os locais), segurança pública de excelente qualidade, violência baxíssima ou quase inexistente em determinadas áreas (onde moramos - Markham - é um exemplo disso), transporte público de qualidade e extremanente pontual. etc.

Existem também os problemas.. mas desculpe... até o fechamento desse post não me ocorreu nenhum....

Se teve a paciência de ler até aqui.. você já subiu no meu conceito.... obrigado!

Continuo respondendo as questões no próximo post....

Alex Boeira

19 de janeiro de 2012

Esse blog estava de férias!

  Voltamos do Brasil. Bem, voltamos dia 3, mas tava dando uma preguicinha de escrever...
  Mas vamos lá, chega de férias né, foi tudo muito bom, mas estou de volta, e essas férias no Brasil me fizeram pensar muito nos motivos de estar aqui.
  A gente volta triste, cansados de tanta despedida e choro, a distância é algo que machuca, mas voltar tem seu lado bom!
  Fazia 1 ano e meio que não ia pro Brasil, parece pouco tempo, mas muita coisa acontece nesse periodo, ouvi músicas novas no repertório Brasileiro, muitos desses sucessos são até motivo de piada na internet, e o "ai se eu te pego" pega a gente mesmo, é dificil tirar essa musiquinha da cabeça! Rsrsrs!
   Porto Alegre e São Paulo são capitais que sempre estão em crescimento, então muita coisa nova apareceu nessas cidades, desde pintura até novas construções em vários cantos, os pequenos detalhes não me fugiam aos olhos, a saudade faz a gente observar muito mais coisas, e o que era rotina se transformou em descoberta, e qualquer mudança era motivo de riso ou espanto!
  Em Porto Alegre curti momentos maravilhosos ao lado da familia e amigos de infância, gente que eu vi crescer,  e que me viram também, agora acompanhamos o crescimento dos filhos, e sempre é muito bom relembrar antigas histórias e morrer de rir de fatos do passado. (Gurias de Poa, alguém tirou alguma foto?)  Os sabores, os aromas, tudo pode ser descrito como num conto literário, de tão emocionante que se torna o simples fato de comer algo que você comia sempre, e nem tinha mais gosto!

Natal em Familia, não tem preço!

  Em São Paulo, fomos reencontrar grandes amigos que fizeram toda a diferença nesses 10 anos morando nessa cidade grande, louca, amada por uns, detestada por outros, mas que sempre deixa saudades, foram 10 anos em que somos muito gratos a São Paulo, não somente a cidade, mas todos os Paulistanos, que fizeram a diferença!

Nem todos estão nessa foto, mas podem ter certeza que estão todos no coração
   Não sou apegada a lugares, mas sim as pessoas, e o que faz o Brasil ser tão saudoso pra mim é tudo isso, essas recordações tão gostosas de guardar. Ah sim, e o calor também, sou doida por uma praia, e vim parar no meio do gelo, mas fazer o que né? Existem razões de estar aqui!
  Razões que só aumentaram, quando pude comparar o que é uma vida segura, uma cidade sem violência e bem organizada, uma sociedade mais justa. Eu, tão acostumada com a desigualdade social, chorei ao ver um menino pedindo moedas no farol, xinguei cada buraco nas estradas, e tive muito medo ao andar em ruas que antes nem eram tão assustadoras.
  Não me venham falar que a violência nem tá tão grande assim, porque tá, posso citar casos na familia e entre amigos que foram vítimas ou quase de assalto a mão armada ou arrastão, eu não assisti noticiário Brasileiro um dia sequer, senão daí sim o medo iria vir com tudo,  o que me falaram foi ao vivo e a cores, e não pelo Jornal Nacional, o Brasileiro ainda vive com muito medo.
  Eu me senti diferente, medrosa demais, e bem mais crítica, é visível a falta de segurança e educação do povo, a bagunça dos transportes públicos, das filas do metrô, e do transito caótico que virou uma guerra entre pedestres e motoristas. Tô exagerando? Não, infelizmente. O que eu vi de gente atravessando sem a menor segurança, simplesmente correndo, como a galinha do jogo Freeway da Atari, fora as carroças que vimos, ou o rastro de bosta que o cavalo deixava.


  E sinal de luz então? Gente que raiva! Até achamos engraçado no primeiro que ganhamos, se você tenta seguir a velocidade das placas, ou dirigir com distância segura, vai ser vencido pela insistência e falta de educação de outros motoristas com pressa.
  É o ambiente contaminado que transforma o comportamento das pessoas, e isso não é da noite pro dia que muda. O Brasil já é a sexta maior economia do mundo, mas ainda é muito pobre de espírito, é aquele novo rico, que ainda não adquiriu classe. 
  Felizmente com o crescimento econômico existe sim a tendência de melhorar, quem sabe agora sobra dinheiro pra investir na educação, e ela possa ser expressada no dia a dia, com simples e mágicas palavras de por favor e obrigado, com respeito maior as leis, no "não furar a fila, e esperar a sua vez", e principalmente, tirando nossas crianças das ruas, e proporcionando algo mais que moedas.
  Sou Brasileira e amo sim meu país, é por isso que reclamo tanto, mas, voltar agora Brasil, não dá.

11 de agosto de 2011

Coisas que só funcionam no Canadá

  Quando eu escrevo "Coisas que só funcionam no Canadá" está implícito: "Coisas que não funcionariam no Brasil", infelizmente.
  A idéia do post foi de um amigo que nos visitou, e ficou impressionado com os caixas self service de algumas lojas daqui, você mesmo passa os produtos no leitor de barras, passa seu cartão e vai embora feliz da vida com as suas comprinhas, simples e fácil assim:

Alex pagando as compras no Canadian Tire
  Existem algumas pessoas pra ajudar, caso algum produto não passe pelo leitor, mas ninguém fica cuidando se o cliente deixa algum produto sem registro (por que alguém pensaria nisso, não é mesmo?) 
  
  Outro fato bem interessante são os parquinhos, em vários existem brinquedos que as crianças levam e deixam por lá, eu achava que a prefeitura colocava, mas não, uma mãe me falou que são os próprios moradores que trazem e deixam, assim outras crianças também podem brincar. E claro, ninguém tem a idéia patética de levar os brinquedos dos outros pra casa, pra quê? Sempre que vc quiser brincar, eles estarão lá, no parque, sendo compartilhado com várias crianças.

Brinquedos a disposição de todos

Esse carrinho já faz parte da diversão do parque
  Lição de cidadania né? Quantos anos luz ainda faltam pro Brasil chegar perto de uma educação dessas?
  Ah! Só pra lembrar, hoje é o dia do estudante! 
  Lembro dos meus alunos do Brasil, da bagunça, do descaso de muitas familias, da falta de educação e comportamento, do cansaço dos professores em lutar contra tudo aquilo.
  Não tô querendo dizer que aqui não existe criança mal educada, adolescente rebelde, e que professor no Canadá é moleza, mas no Brasil é algo que fugiu de controle, se tornou um ciclo entre Familia omissa, Aluno rebelde e Professor desmotivado e doente.

  Bem, existem várias outras "Coisas que só funcionam no Canadá", a medida que for tirando fotos (pois só falando pode ser que vocês não acreditem) eu vou colocando por aqui.

  Aos estudantes Brasileiros desejo que estudem muuuuito, sem preguiça e com muita garra, pois é só a educação que salva um país, e a prática da boa cidadania começa com pessoas esclarecidas e familias orgulhosas do país em que vivem! AMÉM!!!

5 de julho de 2011

Temporada de Summer Camp



  Mais um verão no Canadá! Dois meses de férias e muito calor.
  As familias viajam ou para o país de origem, ou para o interior, curtir os lagos e os Cottages, as modestas cabanas geralmente de madeira, no estilo rural, que enfeitam a paisagem verde e acolhedora.
  Mas e pra quem fica? O que fazem os pais que precisam trabalhar e não tem onde deixar os seus rebentos? Matriculam os pimpolhos nos programas de summer camp, claro!
  Os summer camps são oferecidos por escolas e instituições públicas, geralmente programas de 1 semana, em que você inscreve seu filho para fazer atividades com monitores, geralmente voluntários, e se relacionar com outras crianças. As atividades são jogos, esportes e brincadeiras nas piscinas públicas, que aqui é sempre muito bem limpa e cuidada.
  Essa semana a Aninha começou um programa de uma semana numa escola bem próxima, eu busco ela a pé, e a gente volta conversando e catando florzinhas.
  Matriculamos ela em alguns programas, pra ela ficar ocupada nas férias, uma semana numa escola, na outra semana folga e diversão em casa, depois uma semana no programa da biblioteca pública e assim vai indo até chegar Setembro.
  Não pude deixar de lembrar do primeiro Summer Camp que ela participou ano passado.
  De manhã, deixamos nossa menininha nas mãos de uma monitora e explicamos que ela não falava Inglês, a moça sorriu: "Nice! No problem!"
  Saímos de lá cabisbaixos, com a terrível sensação de que haviamos atirado nossa filha aos leões. Como ela iria se comunicar? E se sentisse sede? Fome? Vontade de fazer xixi?
  Foi um dia muito longo pra mim, e quando finalmente chegou as 4 da tarde, fomos buscá-la com o coração na mão, e cheios de curiosidades. 
  A resposta não poderia ter sido mais positiva, ocorreu tudo bem! Naquela semana a Aninha até ensinou alguns amiguinhos a contar até 10 e o nome de alguns animais em Português, as monitoras adoraram ela!

  Existem Summer Camps de várias atividades, com horários bem flexiveis, integral ou meio periodo, e cada cidade tem seu programa específico, procure no site da prefeitura da sua cidade.

 Pra quem mora em Toronto, o site é: http://www.toronto.ca/parks/torontofun/index.htm

  Bem, como agora moramos em Markham, nós pesquisamos em:

  Aliás, falando em Markham, muito pouca gente conhece essa pacata e linda cidade da GTA (Greater Toronto Area). Ela é do ladinho de Toronto, mas tem um ritmo bem mais calmo e consegue ser mais arborizada que a capital. 
  Aguardem fotos e posts dessa pitoresca cidade logo mais por aqui, afinal, eu também estou de férias, e  tempo é o que não me falta pra escrever no blog!