21 de julho de 2011

Os portões de chegada

  Quem mora longe de pessoas queridas e conta os dias para abraçá-los, vai entender direitinho o que senti quando li esse texto. Independente da crença religiosa, o texto é uma ótima leitura, e a comparação do nosso planeta com um aeroporto foi fantástica.
  Me fez lembrar de quantos dias faltam pra eu visitar a minha mãezinha, abraçá-la e gritar: MANHÊÊÊÊ!!! CHEGUEIIIIIII!!!!! Tomar um chimarrão com meu pai, e ouvir as histórias do meu irmão.
  Ô saudade, por que moras nesse peito?

Aeroporto Salgado Filho, muitas lembranças boas desses portões. Imagem:
http://portoalegrenacopa.blogspot.com/2010/08/governo-e-infraero-definem.html#comment-form


Os portões de chegada
Cada abraço daqueles guarda uma história diferente...
Cada reencontro daqueles revela um outro mundo, uma outra vida, diversa da nossa, da sua...
Se você nunca teve a oportunidade de observar, por mais de cinco segundos, todas aquelas pessoas – desconhecidos numa multidão - esperando seus amigos, seus familiares, seus amores, não tenha medo de perceber da próxima vez, a magia de um momento, de um lugar.
Falamos dos portões de chegada de um aeroporto, um desses lugares do mundo onde podemos notar claramente a presença grandiosa do amor.
Invisível, quase imperceptível, ali ele está com toda sua sublimidade.
Nas declarações silenciosas de um olhar tímido. No calor ameno de um abraço apertado. No breve constrangimento ao tentar encontrar palavras para explicá-lo.
Na oração de três segundos elevada ao Alto - agradecendo a Deus por ter cuidado de seu ente querido que retorna.
Richard Curtis, que assina a produção cinematográfica de nome Love actually – traduzida no Brasil como Simplesmente amor, traz essas cenas com uma visão muito poética e inspirada.
O autor oferece na primeira e última cenas do filme exatamente a contemplação dos portões de chegada de um aeroporto e de seu belíssimo espetáculo representando a essência do amor.
Ouve-se um narrador, nos primeiros segundos, confessando que, toda vez que a vida se lhe mostrava triste, sem graça, cruel, ele se dirigia para o aeroporto para observar aqueles portões e ali encontrava o amor por toda parte.
Seu coração alcançava uma paz, um alívio, em notar que o amor ainda existia e que ainda havia esperança para o mundo.
Isso tudo pode parecer um tanto poético demais para os mais práticos, é certo.
Assim, a melhor forma de compreender a situação proposta é a própria vivência.
Sugerimos que faça a experiência de, por alguns minutos, contemplar essas cenas por si mesmo, seja na espera de aviões ou outros meios de transporte coletivos.
Propomos que parta de uma posição mais analítica, de início, com algumas pitadas de curiosidade:
Que grau de parentesco possuem aquelas pessoas? - Há quanto tempo não se veem? -  De onde chegam?
Ou, quem sabe, sobre outros: Que histórias têm para contar! -  O que irão narrar por primeiro ao saírem dali? Sobre a família, sobre a viagem, sobre a espera em outro aeroporto?
Ao perceber lágrimas em alguns olhos, questione: De onde elas vêm? - Há quanto tempo não se encontram? - Que felicidade não existe dentro da alma naquele momento!
Por fim, reflita:
Por quanto tempo aquele instante irá ficar guardado na memória! O instante do reencontro...
Tudo isso poderá nos levar a uma analogia final, a uma nova questão: não seria a Terra um imenso aeroporto? Um lugar de chegadas e partidas que não param, constantes, inevitáveis?
Pensando nos portões de chegada na Terra, lembramos dos bebês, que abraçamos ao nascerem, com este mesmo amor daqueles que esperam num aeroporto por seus amados.
Choramos de alegria, contemplando a beleza de uma nova vida, e muitas vezes este choro é de gratidão pela oportunidade do reencontro.
É um antigo amor que, por vezes, volta ao nosso lar através da reencarnação.
Pensando agora nos portões de partida, inevitavelmente lembramos da morte, da despedida.
Mas este sentir poderá ser também feliz!
Como o sentimento que invade uma mãe ou um pai que dá adeus a um filho que logo embarcará em direção a outro país, a fim de fazer uma viagem de aprendizagem, de estudo ou profissional.
Choram sim, de saudade, mas o sentimento que predomina no bom coração dos pais é a felicidade pela oportunidade que estão recebendo, pois têm consciência de que aquilo é o melhor para ele no momento.
                                                           *   *   *
Vivemos no aeroporto Terra.
Todos os dias milhares partem, milhares chegam.
Chegadas e partidas são inevitáveis.
O que podemos mudar é a forma de observá-las.
 Redação do Momento Espírita com base no cap. Os portões de chegada, do livro O que as águas não refletem, de Andrey Cechelero.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 12, e no livro Momento Espírita v. 6,  ed. Fep.
Em 20.07.2011.

7 de julho de 2011

Medo de telefone



Eu olho pra ele, ele retribui o olhar.
E agora? Ligar ou não ligar?
E se não me entenderem? E se eu não entender?
I'm sorry, could you repeat please? Could you spell it please?
Ãh? Soletrar o que? Ai meu Deus, acho melhor desligar...

      E quando ele toca? Atender ou não atender?
      UFA... É só um telemarketing, dá pra entender!
      Hahaha, o inglês dele é até pior que o meu.
                                                 Não quero não seu moço, Thanks! Já disse que não, caramba...

                                     Mas eu acho que sim. SIM, eu vou ligar.
                                     Cadê o número mesmo?
                                     Hello, I would like some informations about...
                                     Nossa, ela respondeu... Nossa, eu tô entendendo...
                                     Peraí que vou pegar a caneta
                                     Aham, ok, aham, that's right! Thank you so much!
                                     Deu, passou... Ai que dor de barriga!!!

  Seria tão engraçado se não fosse verdade, a grande maioria dos estudantes de inglês morrem de medo do telefone, e eu não sou exceção.
  É muito mais difícil falar quando você não está vendo a pessoa e não consegue fazer mímica ou apontar para algum objeto, mas é algo extremamente importante quando se decide morar em outro país.
  Tarefa de hoje: ligar para as instituições de ensino, ou qualquer outro número, nem que seja pra passar trote (em inglês? Ah tá...) e treinar o meu listening.
  Good afternoon and Here I goooo!!! (Ai Jisuisss, ai minha barriga...)

5 de julho de 2011

Temporada de Summer Camp



  Mais um verão no Canadá! Dois meses de férias e muito calor.
  As familias viajam ou para o país de origem, ou para o interior, curtir os lagos e os Cottages, as modestas cabanas geralmente de madeira, no estilo rural, que enfeitam a paisagem verde e acolhedora.
  Mas e pra quem fica? O que fazem os pais que precisam trabalhar e não tem onde deixar os seus rebentos? Matriculam os pimpolhos nos programas de summer camp, claro!
  Os summer camps são oferecidos por escolas e instituições públicas, geralmente programas de 1 semana, em que você inscreve seu filho para fazer atividades com monitores, geralmente voluntários, e se relacionar com outras crianças. As atividades são jogos, esportes e brincadeiras nas piscinas públicas, que aqui é sempre muito bem limpa e cuidada.
  Essa semana a Aninha começou um programa de uma semana numa escola bem próxima, eu busco ela a pé, e a gente volta conversando e catando florzinhas.
  Matriculamos ela em alguns programas, pra ela ficar ocupada nas férias, uma semana numa escola, na outra semana folga e diversão em casa, depois uma semana no programa da biblioteca pública e assim vai indo até chegar Setembro.
  Não pude deixar de lembrar do primeiro Summer Camp que ela participou ano passado.
  De manhã, deixamos nossa menininha nas mãos de uma monitora e explicamos que ela não falava Inglês, a moça sorriu: "Nice! No problem!"
  Saímos de lá cabisbaixos, com a terrível sensação de que haviamos atirado nossa filha aos leões. Como ela iria se comunicar? E se sentisse sede? Fome? Vontade de fazer xixi?
  Foi um dia muito longo pra mim, e quando finalmente chegou as 4 da tarde, fomos buscá-la com o coração na mão, e cheios de curiosidades. 
  A resposta não poderia ter sido mais positiva, ocorreu tudo bem! Naquela semana a Aninha até ensinou alguns amiguinhos a contar até 10 e o nome de alguns animais em Português, as monitoras adoraram ela!

  Existem Summer Camps de várias atividades, com horários bem flexiveis, integral ou meio periodo, e cada cidade tem seu programa específico, procure no site da prefeitura da sua cidade.

 Pra quem mora em Toronto, o site é: http://www.toronto.ca/parks/torontofun/index.htm

  Bem, como agora moramos em Markham, nós pesquisamos em:

  Aliás, falando em Markham, muito pouca gente conhece essa pacata e linda cidade da GTA (Greater Toronto Area). Ela é do ladinho de Toronto, mas tem um ritmo bem mais calmo e consegue ser mais arborizada que a capital. 
  Aguardem fotos e posts dessa pitoresca cidade logo mais por aqui, afinal, eu também estou de férias, e  tempo é o que não me falta pra escrever no blog!
  

30 de junho de 2011

Finalmente o dia da mudança!

  Oi Genteiiimm!!!
  Sim, eu sei que estou sumida, que esse blog está jogado as traças, que eu estou sem inspiração e blá blá blá, podem me xingar à vontade, eu mereço, mas pelo menos deixem me explicar como foi corrido esses últimos dias e quem sabe eu até consigo o perdão de vocês! (dramááática...)
  Em primeiro lugar, junho é o mês de término do ano letivo por aqui, julho e agosto é férias pra gurizada, então todas aquelas festinhas e apresentações de fim de ano letivo que aí no Brasil acontecem em Dezembro, aqui acontecem em Junho, e a vidinha social da Aninha estava a mil, aniversários, festa de despedida da professora, apresentação na escola com direito a papel principal, hehe, e eu babando pela filhota que já está craque no inglês, mas UFA... conseguimos levá-la a todas as festinhas, e ela aporveitou pra valer! 
  Pra ajudar na muvuca, eu estava em semana de provas na escola de inglês, depois veio festinha na minha escola também (mas eu não precisei fazer teatrinho pro papai, KKKK) e pra fechar com chave de ouro, tinhamos que nos mudar e entregar o apartamento até o fim do mês, ou seja, HOJE!
  De manhã o Alex foi entregar as chaves, e desde sábado, depois da correria e dos amigos ajudando, estamos felizes no novo LAR DOCE LAR! (muuuito obrigado a todos que nos deram essa enorme força, Marcos, Rogerio, Paloma e familia!)
  A Mudança aqui você mesmo aluga um caminhão e leva as tralhas pro novo endereço, queria ter tirado uma foto do Alex caminhoneiro, mas nessas horas a gente nem lembra que foto digital existe!
  A Aninha que adorou a mudança, ficou o dia todo na casa de uma amiga que tem duas filhas mais ou menos na mesma idade, foi pra festa junina e tudo, se divertiu e não correu o risco de cair da mudança, seria impossível fazer algo com ela por perto. (Obrigado Dani e família!)
  Então foi isso, agora é arrumar as coisas por aqui e curtir a casa nova, e curtir o feriado também, amanhã é CANADA DAY!!! OBAAA!!!
  Pois é gente, semana passada o feriado foi no Brasil, agora é nossa vez né? Nada mais justo, hehehe! Beijos e bom fim de semana pra todos!

Esse aí não caiu da mudança!

Owww, esse caiu!!!
Esse também, tadinho!
 
 

13 de junho de 2011

French Immersion School

 

  Semana passada fomos num Open House na nova escola da Aninha, a equipe recebeu os pais e os novos alunos para uma reunião inicial com informações sobre o próximo ano letivo, que começa em Setembro.
  Sim! O meu bebê começará o Grade 1, a primeira série, e depois de muito pensar, decidimos colocá-la numa escola com programa de French Immersion, ou seja, ela será primeiro alfabetizada em Francês, e até o Grade 3 essa é a única lingua que ela vai aprender na escola, o Inglês só começará a ser ensinado no Grade 4, e no final do Elementary, o Ensino Fundamental, ela será uma aluna Bilingue, e será capaz de ler, escrever e falar o Francês e o Inglês.
  Na prática nós já sabemos que nem sempre é tão lindo assim, existem alunos em French Immersion com um nível de Francês bem baixo, muitos erros na escrita e na pronúncia, mas eu acredito que nessas horas o interesse dos pais também influencia muito a criança, e eu não vejo a hora da minha filha começar os seus estudos, estarei muito feliz ao seu lado, ajudando em cada homework que ela tiver. Aliás, a escola vai oferecer futuramente Francês para os pais também, assim poderemos auxiliar nossos filhos com mais segurança, nem preciso dizer que amei a idéia né?
  No início foi uma escolha bem difícil, eu pensava em como iria ficar a cabecinha de uma menininha que a recém aprendeu o Inglês, fala Português em casa, e agora comecará a escrever em outra lingua. Achei a resposta com uma amiga Brasileira que mora aqui a mais de 20 anos, a filha dela passou pela mesma situação, e o resultado foi muito positivo, ela se formará esse ano no Elementary School, e com 13 anos, ela já pode ser considerada uma pessoa Trilingue.
  A criança reage muito bem a esse tipo de exposição, a Aninha está na idade certa para aprender novas linguas, e eu estou cada vez mais segura quanto a isso. 
  Minha filha já assiste televisão sem perceber em qual lingua ela está assistindo, quando ligo em algum programa na TV Globo Internacinal, depois de uns 15 minutos ela pergunta: Por que eles estão falando em Português? As vezes ela nem percebe a diferença, mas quando ela pode escolher no DVD, ela ainda prefere a lingua materna, e pra mim é um alívio, UFA!!! Não quero que ela esqueça o Português e nem suas origens, pois tudo isso acaba ajudando no aprendizado de uma terceira lingua.
  Claro que pra Aninha a parte mais legal é ir e voltar de ônibus escolar, ela tá adorando a novidade, e eu tô louca pra ver ela sentadinha no busão amarelo, imagina que graça!
 
   Mas calma, muita coisa ainda vai acontecer até Setembro, estamos no fim das aulas por aqui, e primeiro a gente vai aproveitar bastante o Verão Canadense! OBRIGADO SENHOR!!!
  

4 de junho de 2011

Um ano!!! Já???

  Exatamente a um ano atrás, estavamos no aeroporto de Guarulhos, em lágrimas, nos despedindo de amigos muito queridos e deixando o nosso país, que apesar de tantos problemas, não dá pra dizer que não deixa saudades.
  Tenho lido muitos posts em outros blogs sobre o primeiro ano aqui no Canadá, e todos tem dois pontos em comum: a frase "Parece que foi ontem!" ou similares, e o saldo positivo pro Canadá, todos muito felizes, apesar de passarem por certas dificuldades.
  O mesmo acontece com a gente. Imigrar é muito bom, mas é sempre um processo doloroso.
  Quando a gente começa a abrir as gavetas e decidir o que levar e o que deixar, aquela sensação de "e agora?" começa devagarinho a nos preparar para mais tarde ter que se deparar com o pior, nos despedir das pessoas que fazem parte da nossa vida, e pensar: Quando verei minha mãe de novo? Será que esse amigo um dia irá me visitar? Puxa, eu não vou acompanhar o crescimento desse menino!!! Ai meu Deus... quando eu vou mergulhar no mar outra vez???
  Mas depois de enfrentar a dor da separação, e aprender a conviver com ela, vem em você o doce sabor da aventura, e tudo em sua volta se torna lindo! Sentir uma brisa diferente soprando no rosto, ouvir as pessoas falando outros idiomas, ver as folhas de outono no chão, comer o primeiro floco de neve! Tudo é uma divertida e emocionante descoberta, a gente volta a ver o mundo com olhos de criança, e sempre há motivos para grandes risadas!
 
  Depois da aventura, a realidade. Hora de procurar emprego, estudar o inglês, encontrar uma boa escola pra filha, se adaptar com novas situações e um cotidiano diferente, outra comida, outras opiniões e cultura, e a sensação inicial é "Eu não sou daqui!"
  Só que apesar de não ser daqui, você está aqui, e aos poucos tudo vai se encaixando!
  A evolução é devagar e sempre, a gente conseguiu aos pouquinhos tudo que planejou para esse primeiro ano: O Alex conseguiu um bom emprego e está realizado profissionalmente, a Aninha tá muito bem na escola e inglês pra ela nunca foi problema, eu estou melhorando o idioma e conquistando a confiança que precisava para agora sim ir adiante em outros projetos, financiamos nossa tão sonhada casa, e logo mais nos mudando para uma nova cidade.
  Cada vez que assisto o Jornal Nacional, vejo que fizemos a escolha certa. É maravilhoso viver num lugar seguro, onde a violência existe, claro, mas não é algo que está presente no dia a dia das pessoas, você pode sair tranquilo pelas ruas. As preocupações giram em torno do tempo, se vai nevar muito, se vai fazer muito calor, saber nos noticiários como está a economia Americana, qual o resultado do jogo de Hockey, e por aí vai, é raro assassinatos, e quando ocorem, o motivo não é roubos fúteis, ninguém perde a vida por causa de um tenis de marca, ou por alguns trocados na carteira. 
  Arrastão? Assalto a mão armada em plena luz do dia? Assalto no meio do trânsito? O que é isso? Você tem que explicar pra um Canadense como isso acontece.
  O nosso post não poderia ser diferente, estamos sim muito felizes!
  Existem os pontos negativos, claro, na minha opinião são:

  - Inverno muito longo. Ele é lindo, mas é muito tempo com neve e temperatura negativa;

  - Verão curto, e aqui não tem mar, só lago; (Ahhhh o maaarr!!!!)

  - A Saudade, claro! Não há como não falar dela, não vejo a hora de visitar o Brasil, mas só visitar.

  Se existisse uma maneira de trazer todos que amo pra morar aqui comigo, seria o lugar perfeito!

  
  A gente sabe agora o quanto nossa vida depende de escolhas, e o quanto temos que ser fortes para arcar com todas as consequências disso, mas principalmente, o quanto temos que agradecer por estar desfrutando de toda a bonança que vem depois da tempestade. 
  Imigrar é aprender a viver com o coração dividido.

  OH CANADA, WE LOVE YOU!!!
OH BRAZIL, WE MISS YOU!!!

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26 de maio de 2011

Bisbilhotando a marmita alheia

  

  Uma coisa que adoro fazer na hora do almoço é bisbilhotar a marmita alheia e perguntar o que as pessoas estão comendo. Sim, porque aqui todo mundo leva marmita pro trabalho sem o menor preconceito, desde o peão até o diretor da empresa. Quando por algum motivo não trazem a comida de casa, dai sim apelam para um restaurante, praça de alimentação ou o Tim Hortons mesmo, a cafeteria mais popular do Canadá. Ninguém fica chamando o outro de "bóia fria", ou acha marmita coisa de pobre. As pessoas até preferem trazer o alimento de casa, pois sabem como foi feito, não precisam se deslocar pra ir almoçar, e fazem um almoço mais curto, podendo sair mais cedo do trabalho.
  A jornada aqui começa geralmente as 9 da manhã e vai até as 5 da tarde, com meia hora de almoço. Acho que é por isso que almoço aqui recebe o nome de "lunch", com meia hora só dá pra lanchar mesmo, mas já ta bom demais, ninguém se entope de feijoada e fica sonolento o resto do dia, hehe!
  Bem, entre uma xeretada e outra, sempre rola uma receita, e resolvi colocar aqui no blog alguns pratos de culinária Internacional que estou aprendendo a fazer com os meus colegas. Nada melhor do que aprender uma receita nova com um nativo da região, assim vc consegue a relação dos ingredientes na íntegra, suas variações e até alguma história sobre o prato. 
  Culinária é cultura gente, e que cultura deliciosa de aprender!

  Vamos começar então ensinando uma receita de BORSCH, a famosa sopa russa de beterraba, o terror das criancinhas do leste Europeu. (minha colega falou que hoje ela adora, mas na infância ela detestava e comia só as batatas, rsrsrs)
  Você deve estar pensando: "Sopa de beterraba??? ARGHH!!!"
  Que isso galera! Open your mind! Essa sopa tem uma cor linda e a beterraba é mais gostosa de comer na sopa do que na salada, garanto a vocês!
  Vamos lá então, vou escrever a receita sem medidas certas por que foi assim que minha colega Russa me ensinou, você pode ir colocando mais ou menos legumes, conforme o tamanho da familia, e seu gosto pessoal, o único ingrediente que não pode faltar é a beterraba e o suco ou polpa de tomate, o resto é com você:

A beterraba e o suco de tomate deixam a cor da sopa irresistível, acrescentar
creme de leite ou nata deixam o prato mais saboroso ainda.
  Pique 1 cebola pequena e refogue com um pouco de óleo de sua preferência numa panela funda, quando a cebola estiver macia, acrescente 2 ou 3 beterrabas descascadas e raladas no ralo grosso, continue refogando mais uns 5 minutos, mexendo de vez em quando. Acrescente suco de tomate, pode ser o industrializado, ou polpa de tomate, se vc quiser 1 litro de sopa, acrescente 500 ml de suco e 500ml de água, se fizer com a polpa, 1 litro de água e meia lata de polpa, vá dobrando conforme a quantidade que vc estiver fazendo.
  Rale no ralo grosso repolho, cenoura, e pique algumas batatas em quadradinhos, deixe cozinhando com o refogado de beterraba e o suco de tomate até ficarem macios, tempere com sal, pimenta do reino e uma folha de louro, acrescente os temperos antes de levantar fervura.
  Essa receita é a vegetariana, mas se você quiser, pode acrescentar um cubinho de caldo de carne, ou refogue junto com a cebola pedacinhos de bacon, ou pedacinhos bem picadinhos de carne, daí antes de colocar os outros legumes, deixe uns 10 minutos na panela de pressão.

  Bem, os ingredientes principais estão aí, agora é com você, use a sua criatividade e deixe aflorar o chef de cozinha que existe aí dentro, em algum cantinho. 
  Aguardem novos post sobre culinária, que tal aprender a fazer um autêntico PIEROGI polonês? Um CHILLI mexicano? Ou saber mais sobre temperos Indianos e Chineses? HUMM... mal posso esperar para fazer os pratos e escrever os próximos posts! 
BOM APETITTE!!!

24 de maio de 2011

Colocando a casa e o blog em ordem

  Tenho um bom motivo para não ter postado mais por aqui, estamos arrumando a casa nova :-) !!!
  Pegamos as chaves na segunda, e agora é arregaçar as mangas e por tudo em ordem: faxinar, pintar, mudar piso, UFA :-( !!!
Felizes proprietários!
Foto do facebook do Alex, no dia da entrega das chaves!
  Nosso especial agradecimento a Marden Bastos, nossa Real Estate, uma pessoa maravilhosa que nos ajudou não só a achar a casa, mas também nos deu tantas outras dicas sobre como arrumar, limpar, organizar, etc e etc que um post é pouco pra agradecê-la. A Marden escreve 2 blogs interessantíssimos, um sobre o cotidiano no Canadá e o outro mais voltado pro mercado imobiliário daqui, vale a pena conferir:


  Nem preciso dizer o que a gente fez no feriado né? Acertou!!! Faxina e mais faxina.
 Hoje foi o Victoria Day, feriado para homenagear a Rainha Victoria, um feriado prolongado pros Canadenses colocarem em ordem o jardim, é o que eles costumam fazer nesse dia, cortar grama, plantar flores, e depois rola um Barbecue no jardim arrumado, yummy yummy!!! Em alguns lugares tem queima de fogos, mas a gente ficou beeem ocupado e não deu pra assistir, no próximo ano acho que a casa já estará organizada, daí a gente vai, hehe!

  Tá bom, pra não dizer que não fizemos mais nada além de limpar e limpar casa no feriadão inteiro, fomos num aniversário de 1 aninho, e matei a vontade de comer docinhos brasileiros, que saudades do beijinho e do brigadeiro, Huummm!!! Além disso, assistimos um documentário maravilhoso sobre a vida dos bebês até completarem o seu primeiro ano de idade, coincidência né? 
  Babies (Bebês) é um filme estilo "cute". A equipe acompanha por 1 ano o crescimento de 4 bebês de  países distintos, Namíbia, Mongólia, Japão e USA, e mostra as diferenças culturais no crescimento dessas crianças, com um ponto em comum, o amor e cuidado de mãe.
  Enquanto os meninos da Namíbia e Mongólia são quase crianças selvagens, crescendo no meio de animais e conhecendo o mundo de forma bem livre, as meninas do Japão e USA são cercadas de cuidados e tecnologia, e seja qual for o universo deles, você fica encantado com a inocência, e vibra junto com cada descoberta e aventura desses pequenos.

  
  Lindo né? Eu adorei!
  Assistam, diversão e muitos OOOHHHHs na certa!
 Bem, agora vou nanar que amanhã é dia normal, ou seja, escola, Filha e Marido pra cuidar e mais uma casa pra limpar. Sim, por que o apartamento tá uma zona e ainda nem passei vassoura nele, enquanto não nos mudarmos de vez, tô com o serviço dobrado por aqui, ai ai...

13 de maio de 2011

Passeando por Ottawa e Montreal

  No fim de semana passado tentamos mostrar um pouquinho mais do Canadá para os nossos primeiros visitantes, e nada melhor que passear pela capital e respirar ares diferentes por Quebéc, foram 3 dias bem interessantes para nós 5, adoramos Ottawa e Montreal.
  Começamos sexta de manhã, saindo de Toronto cedinho. Chegando em Ottawa, esperávamos ver a cidade colorida pelas tulipas, mas infelizmente a primavera chegou mais tarde esse ano, e as flores estavam um pouquinho atrasadas para o espetáculo, o céu estava cinza e até a chuva apareceu, mas mesmo assim valeu a pena, a cidade é pequena, e muito charmosa, dá pra perder um fim de semana por lá facinho.
Palhaçadas em frente ao Parlamento
Uma fonte de Fogo e Água
As tulipas estavam tímidas
Exposição de fotos das províncias canadenses no centro da cidade
Um autêntico habitante de Nunavut que encontramos por Ottawa (esquimó)
  Foi uma sexta feira de bastante caminhada pela cidade, mas eu queria mesmo era chegar em Montreal, meu lado francófono falava mais alto, amo aquela cidade e amo ouvir as pessoas falando francês, pra mim, o Quebéc é mágico, um pouco da Europa dentro do Canadá.
  No sábado antes do almoço, já estavamos por lá, caminhamos um pouquinho pelas lojas subterrâneas, pelo centro da cidade e até curtimos um pouco da vida noturna. No domingo, pra fechar com chave de ouro, fomos pro Biodôme, um lugar onde eles reproduzem ecossistemas, com animais e plantas nativas.
Nas ruas de Montreal
Delicioso restaurante Mexicano Los 3 Amigos
Estádio Olímpico de 1976
Pablo, Pedro, Ana Luiza, Alex e Adriana
Dentro do Biodôme, reprodução de floresta tropical
O Peixe sorriu pra foto!
  Voltamos cansados e felizes, a viagem de volta a Toronto deu quase 8 horas, contando as paradas pra xixi e comida, mas é claro que valeu a pena! 
  Queremos conhecer ainda no verão a tão recomendada Ville de Quebéc, aliás, minha lista de cidades recomendadas no Canadá é longa, e o país é grande, então aguardem, tem muita foto e passeio legal por vir ainda por aqui!

   Um bom findi pra vocês!

3 de maio de 2011

Our first guests

  Até que enfim alguém tomou vergonha na cara coragem e veio visitar a gente aqui nas terras geladas. Tá bom galera... brincadeiras a parte, eu sei que o Canadá não é logo ali na esquina, e requer tempo e algum dinheiro disponível pra vir, mas mesmo assim estamos sempre de portas e braços abertos aguardando a visita dos amigos.
  O Pedro e o Pablo vão ficar mais alguns dias com a gente, e já conheceram vários lugares turísticos por aqui: Niagara Falls, CN Tower, Casa Loma, passeio por Downtown e principalmente os Outlets.




     AAAHHHH!!!! Os Outlets!!!!! Passeio irresistível!
  Mesmo sendo mais caro que os Outlets Americanos, eles são bem mais baratos que os Brasileiros, e marcas conhecidas, como Calvin Klein, Tommy Hilfiger (nossa preferida UHHUUU!!!) Guess, Armani, Adidas e tantas outras, estão sempre com preços muito bons e irresistíveis, principalmente pros turistas Brasileiros, acostumados com os preços absurdos dessas lojas no Brasil. 
  Eu, por exemplo, comprei nesse fim de semana minha primeira polo da Lacoste, pois nunca tive coragem de gastar uma pequena fortuna pra ter um jacarézinho no peito, aqui, ela me custou CAD$ 49.00, bem menos que um jacarézinho desses no Brasil.

  Estamos aproveitando com eles, comprando, visitando e revendo alguns lugares juntos, como o Niagara Falls, que desde 2007 nós não aparecemos por  lá, é muito bom voltar a lugares tão lindos como esse, e como é quase obrigatório quando se vem pro Canadá, ainda vamos levar muitos amigos pra conhecer, e quem sabe descer num barril, como o Pica Pau, (recordações de infância, hehe, não liguem não...)
  Aí vai algumas fotos pra vcs curtirem as férias dos meninos:

Amizade de longa data
Pablo e Pedro nas cataratas
Decoração Casa Loma
Pedro na Casa Loma
Churrasco Canadense
Aprovado!
Glass Floor do CN Tower
CN Tower, a segunda maior torre do mundo
Centro de Toronto
Uma foto minha e da Aninha, só pra gente aparecer também
  Fica aí o convite pra todos os amigos interessados em conhecer esse país tão lindo que já chamamos de LAR, temos sempre um sofá disponível pra quem quiser passar umas férias e provar o autêntico Maple Siroup Canadense, mas sempre com a nossa hospitalidade Brasileira.